Idolatria

Posted in Uncategorized on setembro 30, 2009 by Thaís Lima

Quando só gostar o artista não é o bastante.

Quanto tempo da sua vida é dedicado para aquele artista que você realmente gosta? Horas na fila para comprar um ingresso de show, comparecimento em todos os eventos organizados para as fãs, mais espera no dia da apresentação, com o intuito de garantir os melhores lugares. Acha muito? Pois essa é a rotina de dedicação da minha irmã adolescente aos ídolos dela.

Ela é apaixonada pelos irmãos Kevin, Nick e Joe: os Jonas Brothers. Os americanos são o mais novo fenômeno. Conseguem arrastar multidões por todos os lugares que vão. A combinação de rostos bonitos, talento musical e carisma é garantia de sucesso na indústria fonográfica. Com ainda o ponto extra para as mamães, já que os consideram genros perfeitos por pregarem a castidade até o casamento.

Minha irmã é capaz de ouvir as suas músicas ininterruptamente, assim como cantá-las todas com inglês perfeito e na ordem definida no CD. E vi que ela não está sozinha. Quando o trio veio fazer show no Brasil em maio desse ano, milhares de meninas tinham o mesmo comportamento que minha irmã apresenta. Gritam, pulam, se descabelam. Chegam a chorar ao ver o ídolo de perto. É uma carga de emoções muito forte, sentida por uma pessoa que elas nem ao menos tiveram contato direto. É assustadora tanta dedicação.

Não é a primeira vez que isso acontece. A idolatria jovem é relativamente recente e ainda assim avassaladora. Temos como principal exemplo os Beatles. Quando os reis do iê-iê-iê sugiram, a histeria era evidente. As imortalizadas imagens das fãs correndo atrás deles são a visão mais nítida que temos disso. Era uma catarse coletiva, na qual todos se deixavam dominar pela explosão das emoções, perdiam o controle e liberavam tudo aquilo que era reprimido. Poucos foram os ídolos que realmente marcaram uma geração: Elvis Presley, Michael Jackson, Freddie Mercury, Madonna. Parece que os Jonas Brothers também estão se firmando nesse espaço restrito.

                Ainda assim é preciso esperar.  Muitos dos artistas que considerávamos imortais, enquanto adolescentes e fanáticos, também caíram no ostracismo. Pegue como exemplo as boy-bands dos anos 80 e 90. Eram garotos bonitos, com carisma e talento. Só que o tempo é imperdoável. Ao passar dos anos, posar de garotão não era mais possível. Então, algumas sábias bandas decidiram terminar as atividades. Outras ainda continuam se apresentando,  beirando o ridículo ao ter como componentes homens perto dos 40 anos, ainda fazendo as mesmas coreografias de 20 anos atrás.

Como toda adolescente, já tive os meus posters do ator da moda pendurados na parede do quarto. Considerar a minha mãe um modelo a ser seguido? Pensava: “Credo, nada a ver.” Quem eu admirava era a mais nova cantora, que andava de skate, se vestia como menino, falava o que pensa. Brigava seriamente com outras garotas que se espelhavam na cantora sensível, loira, a qual pregava a castidade para depois dançar seminua em algum videoclipe. Ficava horas em filas para comprar CDs. Escrevia cartas de admiração, nunca enviadas.

Só que tudo isso passa. Os CDs, camisetas, posters, revistas, cartas são apenas lembranças concretas de uma fidelidade incondicional ao ídolo. Quando a maturidade vem – e com ela os problemas – os gostos mudam, assim como diminui o tempo disponível para descobrir todos os detalhes da vida de outra pessoa. O sentimento de culpa é inevitável ao pensar em abandonar aquele por qual a dedicação foi tamanha. Porém não se preocupe, a maioria dos ídolos é igual chuva de verão: cai com intensidade, leva tudo em uma grande enxurrada, mas desaparece em poucos minutos. O sol brilha novamente e forma outras  iguais.

Bem estranho

Posted in Uncategorized on agosto 7, 2009 by Thaís Lima

Já vou avisando que isso é uma coisa antiga, de um ano atrás que fiz para a minha aula de inglês. Mas achei que o texto ficou tão bom que resolvi postar.

Agora que o Panic  se separarou, resolvi relembrar o álbum. Aliás, não achei que a separação foi tão ruim assim, já que vamos ter duas bandas: o novo Panic (retornando a usar o !) voltando à sonoridade do Fever you can’t sweet out e uma seguindo a linha do Pretty, Odd, a “The Young Veins”.

Então, vamos ao que interessa.

Artist: Panic At The Disco

Album: Pretty, Odd

Label: Warner

On their second album Pretty, Odd, Panic At The Disco lose a “!”, leave behind their punk-pop sound and show a new beat with songs inspired in bands like Beach Boys and The Beatles. But they didn’t abandon their theatrical way to make music. Brendon Urie has a unmistakable voice: in the beginning of songs, it  starts soft, becoming strong on the chorus. And now he shares the vocals with the guitar player Ryan Ross who, different of Urie, has a sweet and shy voice, but incredible beautiful. A powerful combination appears when the two voices get togheter, making the album sounds like rock opera.

Lyrics are more mature than on the debut album. Nine in the afternoon was the first single and the first music which have been made. “We decided that from that point on it should just be songs that we have fun writing, have fun playing and are fun to listen to” Urie said. ”That was pretty much the philosophy for ‘Nine in the Afternoon”. It shocked the fans, because the song was extremely different of all they have done before. The use of strings, trumpets and trombones are the main differences. The amazing ballad Northern Downpour has a catchy chorus that makes you want to sing along. Songs which also deserve a mention is the Beatles’ style second single That Green Gentleman, the opera Do you know what I’m seeing? and the comical final track Mad as Rabbits.

Listening to Pretty, Odd could be pretty odd at the first time. But the album brings back the best of rock: well-produced songs, getting close to the Beatles’ highly acclaimed album Sgt. Peppers and the Lonely Hearts Club Band. It’s worth the money. Run to the next store and get it now.

“Descobri minha profissão em um Todydinho”

Posted in Uncategorized on julho 29, 2009 by Thaís Lima
Estava hoje, nessa bela manhã chuvosa em São Paulo, vendo o meu Twitter quando me deparo com vários posts de outros amiguinhos com o seguinte link, que ia para essa imagem.
Ah, Toddynho centro de sabedoria!

Ah, Toddynho centro de sabedoria!

Eu, sinceramente, nunca gostei dessa Daniela. É o caso clássico da mulher que foi colocada para apresentar alguma coisa somente porque é bonita. Não que na TV beleza não seja fundamental. Afinal, ninguém quer ver um programa sendo apresentado pela Betty, a Feia. Mas além de ser agradável aos olhos (atóron eufemismo), a expressividade da pessoa tem que ser perfeita, ainda que outros fatores, como sotaque e vergonha atrapalhe. Mas, desde a primeira vez que a vi apresentando Dr. Hollywood, ela nunca teve desenvoltura, não parava de olhar diretamente o TP. E nunca melhorou. O incrível é que ela foi promovida. Apresenta também um programa chamado “Manhã Maior” também na Rede TV. Tudo bem que ela sempre fala três frases, apresenta uma matéria e acabou.

Eu me perguntei: “Por que a colocaram para apresentar um programa como esse? As pessoas fazem testes para apresentar, eu acho…” Dias depois descobri que ela, como a Luciana Gimenez, é casada com um dos donos da RedeTV. Dar, ser esposa do dono é melhor do que ser filha. Ela encontrou o atalho que todos nós queremos. Funciona mais do que puxar o saco do patrão.

Com um empreguinho garantido, ela pode fazer o que quiser, certo? ERRADO! Eu acho que quando você está em destaque na mídia, tem que ter cuidado com aquilo que diz, para evitar problemas como está acontecendo com o Danilo Gentili, ou evitar gafes ou atestados de burrice como ela fez. Jornalista é uma raça ruim e eu sei disso. Qualquer frase ingênua demais é um prato cheio para a gente fazer a festa. E esse foi o caso. Tenho certeza que o/a repórter fez milhares de perguntas em uma coluna que só aparecem cinco. E a ingênua me solta que escolheu o que faz agora pelo Toddynho! Imagino a cara da repórter –  que, no mínimo, participou do Curso Abril, para entrar na Veja SP – quando ouviu essa resposta. Eu ia rir para não chorar da situação.

E ainda falar que tem tudo a ver com a profissão de modelo. Tá, o mais próximo que eu já cheguei de ver um processo de seleção de modelos foi no America’s Next Top Model, porém, pelo que eu entendi, além de ter o corpo certo – porque nem o rosto bonito precisa mais, as que não são bonitas, são “exóticas” – elas só precisam se destacar com a personalidade certa, meio alegrinha e só. Nunca ouvi falar que precisa de curiosidade, vontade de sair na rua sem medo do que vai acontecer, sede de aprender. Ser repórter é muito mais do que ir para a frente da câmera, falar três palavrinhas, mostrar umas imagens e acabou. Até na gravação da imagem, quem corre atrás para conseguir é o jornalista. Ficar no estúdio lendo o TP que você não escreveu é fácil.

Algumas modelos conseguiram sim ser boas apresentadores (vide Tyra “Musa” Banks, Heidi Klum, Ana Hickman ou Ticiane Pinheiro), mas nenhuma se denomina jornalista. E espero que a Daniela siga o mesmo exemplo. Não tem nada a ver com a discussão de ter diploma ou não, pois além da prática escolher modelos para apresentar programas ser tão velha quanto a TV, conseguir um diploma não é tão complicado assim. Falo isso porque a apresentadora em questão não desempenha esse papel, deve somente participar de reuniões de pauta, se for o máximo. Então, não me venha dizer que descobriu o que quer fazer da vida porque leu no Toddynho. Quem escreveu essa explicação devia ser um jornalista zoando da sua cara!

Críticas & Sugestões

Posted in Uncategorized on julho 22, 2009 by Thaís Lima

Depois de muito tempo sem atualizar esse blog, volto com algumas dicas de coisas que eu vi durante as minhas férias:

Filme:

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Direção: David Yates

Com: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Tom Felton, Michael Gambon, Alan Rickman

(Contêm Spoilers)

No sexto volume da franquia bem sucedida tanto na literatura quanto no cinema, Harry volta ao mundo bruxo provando que Voldemort está de volta assim como os seus seguidores, os Comensais da Morte. Além de se preocupar em encontrar alguma fraqueza no passado do Lorde das Trevas, Potter ainda encontra um livro que irá lhe causar tanto alegrias quanto problemas. No meio de tudo isso, o romance encontra espaço, com Harry e seus amigos, Rony e Hermione, encontrando e revivendo as dores de amor.

O que o diretor David Yates sempre afirmou como ponto principal para esse filme era revelar a parte mais emocional dos personagens, agora com 16 anos, com os seus conflitos internos e amorosos. Conseguiu esse aspecto com êxito. O filme claramente dá atenção especial à tensão amorosa entre Rony e Hermione. O que pode soar como novidade para os espectadores somente do filme, para os fãs do livro isso é notícia velha, já que o relacionamento dúbio dos melhores amigos de Harry é presente nos livros. Porém, não tão escancarado como no filme, com Hermione perguntando a Harry “se ele sentia a mesma coisa quando vê Gina com outros”. O que realmente foi surpresa para todos é o relacionamento entre Harry e Gina, irmã de Rony. Até o quinto livro/filme, o garoto nutria amor por Cho Chang, mas após o fim nada agradável do namoro (coisa que o filme não mostra), os leitores pensaram que Potter iria terminar a saga sem ninguém. Apesar de nos livros a aproximação dos dois ser espontânea e delicada, no filme as situações são forçadas, bobas, e um pouco inverossímeis (amarrar o tênis, “a gente pode deixar isso aqui [na sala Precisa] também”). Aliás, nenhuma das cenas de interação dos dois que estão no filme existe no livro. E provavelmente no próximo filme nem vão explicar porque o Harry teve que deixar Gina para trás.

O que deixa a desejar é a atenção dada para a parte “séria” da adaptação. O longa realmente ficou mais sombrio e pesado. Os problemas agora são palpáveis e se apresentam ao longo do filme, não são mais circunstâncias que culminam em uma luta final entre Harry e Voldemort.  Só que para uma pessoa que não leu o livro fica difícil acompanhar as partes mais intricadas, como o que são as Horcruxes, porque só agora Dumbledore revela os segredos a para Harry ou como Draco foi ser o intermediário dentro de Hogwarts. Muitas das lembranças são esquecidas – nem ao menos citadas. O tratamento dado ao livro de poções do Príncipe Mestiço é igual ao do Diário de Tom Riddle, um objeto que tem vida própria e diabólico. Interpretação que não passa nem perto da original imaginada pela autora J.K. Rowling. Porém, tenho que confessar que gostei do final dado ao filme. Sem nenhuma batalha dos Aurores e alunos contra os Comensais dentro de Hogwarts. No livro, com certeza, é uma parte eletrizante, mas que se repete no escrito seguinte. Ter duas cenas parecidas seria um desperdício de recursos e para os leigos poderia parecer que eles estão vendo a mesma situação. Só lamento pela omissão do enterro de Dumbledore. Seria um ótimo jeito de amarrar os fatos para dar início a seqüência.

A seqüência “Harry Potter e as Relíquias da Morte” irá ser dividida em duas partes coma justificativa de  que nenhum detalhe seja excluído. Espero que isso aconteça de verdade, já que podemos perceber que duas horas e meia não são suficientes para dar conta de todo universo criado por Rowling.

Livro:

Princesa Mia – Série “O Diário da Princesa”

Autora: Meg Cabot

Preço: Entre R$25,00 e R$35,00

(Contêm Spoilers)

Ligado com o “Princesa no limite”, o nono livro da série “O Diário da Princesa” traz os quinze dias seguintes da partida para o Japão de seu namorado Michael , o irmão da sua melhor amiga Lily, com quem está brigada. Com dificuldade para se recuperar da separação, a princesa não sai da sua cama e não vê mais sentido na vida agora que não pode sentir o perfume do pescoço de Michael, mesmo com Tina e com seu novo amigo J.P. tentando animá-la. Além dessa avalanche emocional, ela tem que se preocupar em montar um discurso para a Domina Rei, importante sociedade que sua avó quer fazer parte e liderada pela mãe de Lana Weinberg, que passa de inimiga mortal a candidata a BFF da protagonista (coisa que Mia também não consegue entender). O que ela não prevê é que no meio dessa confusão vai se deparar com um segredo real, o qual pode mudar o destino de Genovia.

Sinceramente, o melhor livro da série! Impossível de largar até a última página. Meg Cabot deixa um pouco de lado somente a relação Michael – Mia, que deixava o livro repetitivo, para deixar aflorar um lado mais inseguro só que nem por isso deixa de ser engraçado para o leitor. Seus encontros com o terapeuta são as passsagens mais hilárias da história. O relacionamento da princesa com J.P. toma os rumos já antes sugeridos por Cabot no livro anterior e que – intencionalmente – somente Mia não conseguia perceber. Por causa da briga, Lily some um pouco da narrativa e dá espaço aos conselhos amorosos tiradosdelivrosdesegunda de Tina e até a Lana e a melhor amiga dela, Trisha, o que também rende momentos divertidos, como as tiradas e conselhos “sinceros até demais”. Mas o ponto positivo é o envolvimento de Mia com o futuro de Genovia. Sem assunto para o seu discurso no Domina Rei, ela começa a pesquisar nos livros históricos de Genovia alguma coisa interessante. Enquanto Grandmère quer que ela fale sobre os esgotos do principado, Mia encontra uma coisa muito mais interessante: o diário da Princesa Amelie. A partir dele, encontra e revela um pedaço da história genoviana que era desconhecido. Pena que o que irá acontecer só vamos descobrir no livro seguinte “Princesa para Sempre”, e também o último da bem sucedida série de livros.

Espero que na próxima visita eu comente sobre os livros “Alice no País das Maravilhas” e “Amanhecer”, o filme “O Menino do Pijama Listrado”  e alguma outra coisa que eu achar interessante. Enquanto isso, sigam meu twitter @thaisli.

Drama de alcoolatras em recuperação.

Posted in Uncategorized on junho 15, 2009 by Thaís Lima

“Ouvi minha história pela boca de outro”

Por Mariana Ferrari e Thaís Lima

 

 “A história do bêbado é a mesma, só mudam os personagens”. Essa confissão feita por Dijalma de Oliveira Dourado para introduzir a sua história é usada por todos os que passaram e passam pelas mesmas dificuldades que ele. Depois de 32 anos dedicados a vencer o vicio de álcool, hoje com 75, já não tem mais vergonha de mostrar as suas cicatrizes desde que impeça outras pessoas a passarem pela mesma situação.

              Morador da cidade de Irecê, na Bahia, aos 14 anos não sabia o que era vício.  “Eu nunca tinha visto nem perna de mulher, nem do joelho para baixo. Fui ao circo, vi duas mulheres no trapézio de biquíni e no mesmo dia me convidaram para beber. Eu não sabia o que era bebida”, relembra.  Estavam em três rapazes e misturaram duas meias garrafas de Cizano e cachaça. Depois dessa dose, as próximas foram aumentando cada vez mais. Não que isso ainda atrapalhasse o seu cotidiano, pois bebia controladamente. Já teve vários trabalhos: vaqueiro, vendedor, caminhoneiro. Nenhum com carteira assinada. Sempre foi autônomo.  Ainda bebendo socialmente conheceu sua esposa Marina Rosa de Lima Dourado com quem se casou aos 25 anos. Da união nasceram as “quatro Marias”: de Lourdes, da Glória, Lisaura e Bernardete.  Tiveram muitas posses, como terrenos e gado.

O casal também era dono de uma venda na cidade, que prosperou, só que ela foi afetada pelas crises de Dijalma. Ele não tinha mais vontade de abri-la e não deixava que Marina e suas filhas a abrissem também. Na casa da família tinha todo tipo de bebida, que Dijalma as misturava em um único copo. “Nunca cheguei a roubar fora, mas dentro de casa se eu achasse 10 centavos peagava para comprar bebida, fosse de quem fosse”, confessa.  Até conseguiu ficar um ano sem beber, porém teve recaída e o alcoolismo ficou mais acentuado.  À noite, enquanto Dijalma não chegasse em casa, Marina ficava no portão esperando  para que o marido não dormisse na rua.

            A situação ficou insustentável.  Dijalma nunca foi de brigar, mas machucava seus próximos com as palavras. A única vez que houve alguma ameaçava foi o ultimato para Marina. Embriagado, Dijalma  apontou um revólver  em sua cabeça se ela não lavasse a roupa.  Como a maioria da família dela vivia em São Caetano do Sul, Marina decidiu se mudar com as filhas e perguntou ao marido se preferia ir junto, já que estava irredutível. “Eu ia mesmo se ele fosse ou não”, esclareceu Marina. A família não se separou. Dijalma aceitou ir.

Marina conseguiu um emprego na fábrica de sapatos, onde os irmãos dela também trabalhavam, no primeiro dia que chegou. Dijalma fazia carreto.  Mas o que parecia melhorar, estava piorando cada vez mais. Ele não largava a bebida. Marina apelou para todas as religiões possíveis para fazer o marido parar. Ainda sim agüentava tudo calada e paciente. “Achava feio as mulheres que brigavam com os seus maridos por causa disso [a bebida]. Ficava calada por respeito as minhas filhas. Foi o melhor”. 

            Dijalma sentia por sua família, mas o vício era incontrolável. “Só não bebia quando estava dormindo”. Já não era só a família que estava ciente do problema. Todos de fora já o reconheciam como “o bêbado”. “A primeira coisa que o bêbado perde é o nome, o caráter e aí a situação fica delicada”, explica Dijalma. Ele reconheceu isso quando sua filha mais nova, Maria Bernardete Lima Dourado, de 37 anos, ainda criança na época, pediu um “quebra-queixo” na rua ao pai. Como Dijalma não tinha dinheiro, ofereceu sua identidade como forma de garantia ao vendedor ambulante. Este recusou o acordo, dizendo que “de bêbado nem documento prestava”.

            Na vida do alcoólatra, não só o viciado enfrenta as consequências do álcool. A família sente também as dores. “Eu sofria por ele”, diz tristemente Marina. Em tese defendida pela assistente social Maria da Glória Lima Dourado, 47 anos, muitas vezes a mulher assume o papel de chefe da família, encobrindo o beber excessivo do marido. Os filhos assumem diferentes papeis. Se adolescentes, podem se tornar adultos antes do tempo. Foi o caso da filha mais velha, Maria de Lourdes Lima Dourado, 49 anos. Com 16 anos, ela ia em busca do pai nos bares, pedindo a sua volta para casa. Em pedidos de ajuda do pai, acabava bebendo com ele, mas não desenvolveu nenhum vício.  “Ele é um grande homem e tem boa índole”, defende Lourdes. ”Se não fosse por isso, não tinha conseguido se tratar”, especula. Todas perderam a liberdade da infância por medo das atitudes do pai. Não saiam à rua com receio de que se Dijalma não as encontrasse em casa pudesse brigar a mãe. Marina percebeu também que Bernardete, ainda bebê, refletia as dificuldades da família em seu comportamento e saúde.

            Como última alternativa, Marina levou Dijalma a uma reunião da Associação AntiAlcóolica do Estado de São Paulo, no dia 05/12/1977. O núcleo de São Caetano tinha sido criado quase dois meses antes, em 31/10/1977 por “um médico e dois bêbados”, como declarou Dijalma. A primeira visita foi tumultuada. Apareceu bêbado e ao ouvir um dos depoimentos se revoltou. “Parecia que ele estava contando a minha história”, relata. Após xingar o companheiro de “preto, cego, mentiroso e safado”, Marina o convenceu a ficar mais um tempo no local e no final do encontro, fez o seu voto.  Como uma espécie de compromisso com si mesmo, o dependente faz uma promessa falando as seguintes palavras:  “Ao ingressar na Associação Antialcoolica do Estado de São paulo prometo, com a ajuda de Deus, fazer todos os esforços para me abster de toda e qualquer bebida alcoólica, reconhecendo ser ela a responsável pela ruína e miséria do meu ser, do meu lar e de minha pátria. Assim eu prometo.”

            As reuniões são feitas sempre do mesmo modo. Em um auditório com capacidade para 200 pessoas, as paredes são decoradas por frases de efeito como “Mais um dia sem beber” ou “Aqui morre um bêbado e nasce um homem”. Na frente de um painel decorado pela “chorona”, uma cabeça de mulher chorando em um cálice de vinho com os dizeres “Em cada copo de álcool, há lágrimas de esposas, mães e filhos”, fica a mesa da assembléia. Em cima dela, uma placa chama a atenção com a citação “Evite a primeira dose”. No inicio uma sineta é tocada para ceder um minuto de silêncio para todas as pessoas que são afetadas pelo álcool.  Em seguida, começam os depoimentos dos alcoólatras em recuperação. Quinze dias após a primeira visita, a pessoa é convidada a falar sobre seus problemas, nunca obrigada. Cada convidado tem direito a falar por 10 minutos, visando conscientizar os outros através das suas experiências. Sempre repetem “Se você está vindo pela primeira vez, saiba que você é a pessoa mais importante dessa reunião”. Apesar de não ser uma associação com ligações religiosas é unanime agradecer a Deus por mais um dia sem beber – no próprio voto há uma citação sobre Deus. Todos sabem que o melhor remédio para o alcoolismo é a palavra de terceiros contando seus problemas. Muitos deles tem que ir todos os dias a reuniões para conseguir superar o desejo por álcool.  E querer parar por vontade própria. “Jurar pelos outros não adianta”, afirma Alexandre Gatti,  31 anos.

             Metalúrgico, Alexandre cuida de seus três filhos e se achava no direito de beber para descontrair nos fins de semana. A situação foi se agravando, como em todas as histórias. Em um de seus depoimentos, conta que sofreu um acidente grave de carro e por estar alcoolizado não lembra do que aconteceu. “Em churrasco a tarde, queria levar todo mundo embora, mas deixei o pessoal no caminho e parei em um bar. Acabei batendo a frente do carro e achei que no momento só tinha furado o pneu. No outro dia, descobri que tinha batido o carro e não lembrava. Depois disso jurei por meu pai que não ia mais beber, mas não cumpri o voto. De acordo com ele, “o bêbado tem três fases: macaco, quando acha que tudo é engraçado e faz graça com os outros, o do leão, onde acha que é forte e agride todo mundo e do porco, quando deixa de tomar banho e fica largado pelas ruas”. Só depois de decidir por si só que iria parar de beber, fez seu voto no dia 11 de maio de 2008. “Foi a melhor coisa que eu fiz na vida”. “Nosso casamento começou de novo”, comemora a esposa Edivânia Gatti, na condecoração de um ano do marido.

            Existe um incentivo para aqueles que enfrentam a recuperação. São as chamadas condecorações. Nos primeiros três meses de voto, a pessoa recebe um crachá verde escrito “Lembrança do meu terceiro mês de vitória”. Ela também ganha o direito de escolha por ser o dirigente, auxiliar, secretário ou mestre de cerimônia. Depois de seis meses, ele ganha o crachá azul e ao final de um ano ganha a primeira medalha, de bronze, que é distribuída a cada ano que o recuperado passa sem beber. Se por acaso a pessoa quebrar o voto, ela tem que voltar a associação e devolver as condecorações que juntou durante o voto. No dia da cerimônia de entrega, o homenageado chama um padrinho e escolhe o mestre de cerimônias. A reunião é carregada de emoção. Não é raro ver parentes e companheiros de luta chorando pelo recuperado. Ao fim do evento é repartido um bolo, normalmente feito pelos familiares com refrigerante, claro.

            Dirigente por 17 anos da Associação, Dijalma esclarece que há diferença entre esse grupo e os Alcoólicos Anônimos: ”Eles são guiados pela Bíblia do Recuperado, um livrinho azul, com doze passos a serem seguidos. Nós apenas pelo voto”. A cada depoimento na Associação a pessoa se identifica para o grupo. No AA, eles geralmente não precisam. Dijalma recebia mais de 3000 pessoas por semana no núcleo de São Caetano. Hoje, não mais. “Quando eu era dirigente de lá, fui divulgar a Associação nos programas da Bandeirantes. Agora, eles não gostam de fazer isso. Eu acho que por isso que o AA cresceu tanto na divulgação” especula.

            Mesmo afastado do cargo, Dijalma está vinculado a Associação não só por causa de seu vício. Sua filha, Maria da Glória, assistente social, fez sua tese sobre a importância da família na recuperação do alcoólatra. No dia da colação de grau, combinou com os formando que a homenagem aos pais seria destinada a apenas um: Dijalma de Oliveira Dourado. Com 5000 pessoas na plateia, esse exemplo de superação foi aplaudido de pé por todos. “Quando terminou a colação, foi correndo para a Associação mostrar o trabalho da minha filha. Nesse momento percebi que, com a minha recuperação, eu passava ser novamente uma pessoa”, conclui.

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Publicado aqui antes mesmo de ser avaliado pelo professor. É longo, mas a leitura vale a pena. Afinal, deu trabalho para caramba!

WTF is Sexy Dolls?

Posted in Uncategorized on maio 26, 2009 by Thaís Lima

Lembram daquele rolo que deu no programa CQC quando o Marcelo Tas chamou um grupo de meninas de prostitutas antes de anunciar a matéria? Resultou em processo e a restrição da BAND que os fizeram gravar o programa, o que deixa tudo mais sem graça já que o ponto diferente era o improviso do trio Rafinha Bastos, Marco Luque e além do próprio Tas. Pois bem, em uma tarde friorenta aqui em São Paulo (na hora do almoço estavam fazendo 11ºC!!!!) resolvi pesquisar quem eram essas tais meninas. Descobri que o Tas não estava tão errado assim.

As participantes do grupo não são prostitutas, é verdade, mas estão envolvidas com a indústria do sexo. As integrantes são Julia Paes,  Carol Miranda e Sabrina BoingBoing. As duas primeiras eram atrizes pornôs com filmes de sucesso (?). Julia fez o filme com a Thamy Gretchen e a Carol é a menina que perdeu a virgindade no segundo filme pornô que fez (não me pergunte qual orifício foi usado no primeiro!!!!). A Sabrina, pelo que pesquisei, nunca fez nenhum (algumas propostas estão em andamento), porém faz umas apresentações por puteiros casas de strip, até uma aqui em Santo André (como eu adoro morar perto da rota de casas noturnas!). Nada mais adequado se vão ficar só rebolando mesmo.

Carol Miranda, Sabrina Boing Boing e Júlia Paes

Carol Miranda, Sabrina Boing Boing e Júlia Paes

Alegam ser a versão brazuca das Pussycats Dolls. Sim, o Pussycat em LA também é uma casa de strip e a maioria das suas integrantes já participou de apresentações na casa. Só que o processo para entrar lá é super rígido. Todas têm que ser bailarinas formadas e passam por um processo de seleção ferrado (visto um pouquinho pelo reality show Girlicious). A ideia era parecer o cabaré francês Moulin Rouge onde a nudez é a menor parte do espetáculo.

Pussycat dolls -  as originais

Pussycat dolls - as originais

Para a formação do grupo Pussycat Dolls em si, mais do que dançar e ser bonita tinha que saber cantar muito bem. Afinal no mundo pop dos EUA ninguém se mantem por muito tempo só rebolando. Assim, chamaram a Nicole Scherzinger, mais conhecida pelo Galvão Bueno como a namorada do Lewis Hamilton. Concordo que só ela no grupo canta de verdade, as outras só fingem. Mas isso já segura o grupo todo. 

Na nossa “versão”, ninguém é cantora (se fossem, não fariam o que estão fazendo agora), muito menos bailarina. Se tivessem pelo menos um pouquinho de ritmo, mas nem isso. Acaba ficando ridículo para elas e para quem assiste. Na “música” “Teu Beijo” apesar das três cantarem, só uma voz é reconhecida na música – que eu chuto que nem são delas. O clipe é uma cópia pobre de Single Ladies da Beyoncè, só que saem os maiôs classudos e entram uns de fio dental, só para mostrar os atributos. A dublagem nos XXX de clipe sai errada. Enfim é uma gafe atrás da outra. Assistam o clipe e tirem as próprias conclusões.

Acho bem dificil esse grupo sair do primeiro single, quem dirá do primeiro cd. Tantos outros grupos pop se desmantelaram por brigas internas e por salários infimos apesar de terem grande talento como cantores. Bem, tratando de salários infimos não será problema, já que as três tem outros tipos de renda.

Enfim, Marcelo Tas, você estava certo. Como sempre.

Here they are: The Jonas Brothers

Posted in Uncategorized on maio 25, 2009 by Thaís Lima

“Domingo é dia de alegria, vamos sorrir e cantar”…com os JoBros. Crédito: naodiga.com

fanatismo
fa.na.tis.mo
sm (fanáti(co)+ismo) 1 Excessivo zelo
religioso. 2 Facciosismo, partidarismo. 3 Dedicação excessiva a
alguém,
ou a alguma coisa; paixão
. 4 Adesão cega a uma doutrina ou
sistema.

histeria
his.te.ri.a
sf (hístero+ia1) 1 Med Psiconeurose que se observa principalmente
nas mulheres e se
caracteriza por falta de controle de atos e emoções
e
por grande
variedade de outros sintomas que muitas vezes simulam doenças
orgânicas
(supunha-se que tinha origem no útero). 2 Índole caprichosa ou
desequilibrada. Var: histerismo.

Essas duas palavras se as suas definições traduzem a minha tarde de ontem no estádio do Morumbi. Sim, fui ver o show dos Jonas Brothers. Afilhados da Disney e deslocadores de multidoes, os meninos fizeram sua última apresentação na América Latina na tarde de ontem. E eu nunca tinha visto coisa parecida.
No começo da semana, quando desembarcaram no Peru, a situação já era impressionante. Milhares de meninas se aglomerando na porta do hotel, esperando um aceno ou uma simples aparição dos Jonas.
E isso se repetiu no Chile, Argentina até chegar ao Brasil.
Nosso país é de especial lembrança para o grupo, já que a babá deles era brasileira e os ensinou a gostar de pão de queijo e coxinha desde pequenos. Pena que a babá foi despedida – talvez por imigração ilegal (brinks) – e o único jeito deles entrarem em contato com essas iguarias era vindo para o Brasil. Enquanto outras bandas falam que a primeira coisa que querem experimentar é a “caipirinha”, os Jonas nem tocaram no assunto, apesar de dois dos integrantes, Kevin e Joe, já poderem beber legalmente aqui. Isso só prova a boa indole dos garotos. Protestantes, não tem nenhum vício, – pelo menos não declarado – usam o anel de castidade e são orientados a não falar sobre a vida pessoal. São bons garotos.
Talvez seja isso que atraia tantas fãs para a banda. O misto de moços tímidos com sexualidade explícita (já que os meninos são atraentes, não tem como negar) fazem com que eles se tornem o sucesso “engana mamãe”. Tanto que no show haviam desde crianças de 05 anos, atraídas pelo sucesso dos moços em Camp Rock até adolescentes que declaravam para quem quissesse ouvir – ou não – que Kevin, Nick e Joe eram o amor das suas que vidas (mesmo que no sentido pueril e casto da palavra).
O fanatismo é tanto que já haviam pessoas que estavam dormindo na fila desde a sexta anterior ao dia do show. Eu cheguei ao Estádio no domingo, ao meio-dia, em gritos de protesto da minha irmã que queria ter chegado muito mais cedo. Depois dela encontrar as amiguinhas de forum dos JoBros, tudo acalmou. Passaram as duas horas antes de entrar no estádio cantando músicas e elegendo quem era o favorito deles.
Finalmente abrem os portões com meia hora de atraso. Mesmo com a classificação livre, os menores de 14 anos deveriam estar acompanhados de responsáveis maiores de 18 anos. Falei deveriam porque na hora da entrada, ninguém perguntou por identidade das meninas que eu estava acompanhando (todas menores de 14) ou quem estavam com elas. Ah, enfim. Nenhuma delas estava representando algum perigo para sociedade. Aliás, ninguém que estava lá dentro tinha algum plano suicida para justificar uma verificação de identidade tão intensiva. Mas ainda sim, deveria se ter um cuidado maior.
Sentamos na cadeira azul, que fica do lado esquerdo do palco. Dela, dava para ver todo o backstage. Descobri isso quando estava fazendo uma hora, indo ao banheiro e comprando alguma coisa para comer. Na hora que avisei isso para as meninas, todas saíram correndo para tentar pegar alguma coisa. O problema é que fizeram tanto barulho que alertaram a segurança do setor. Colocaram duas seguranças para não deixar que ninguém se aproximasse da área e a alegria de todo mundo acabou. No entanto, minha irmã jura ter visto os três Jobros almoçando no restaurante do Morumbi. Vou postar a foto comentada por ela, apesar de eu mesma não ter visto nada:

Neste post não cabe eu detalhar o show dos meninos, porque vocês já devem estar cansados de ler. O que resta escrever é que foi um show sem erros. Eles são muito bons. A única coisa que deixou a desejar foi o som. Porém isso é um carma em solo brasileiro, já os técnicos que acompanham os artistas parecem não conseguirem acertar o som de um jeito que fique satisfatório. Sempre está muito baixo ou muito agudo ou muito grave. Enfim.
Outra coisa que chama a atenção é atuação deles no palco. A platéia de São Paulo fez Kevin se emocionar, devido aos gritos (e lágrimas) da platéia de devoção aos meninos. No show do Rio, quem cedeu às lágrimas foi Nick, o mais novo da banda. Apesar disso, as marcações dos JoBros eram iguais ao da turnê toda, até mesmo as reações mais naturais, como aproximar da platéia pela plataforma. Percebo que muitos críticos recebem isso de maneira ruim. Não vejo por esse lado. Como qualquer show de artistas pop, o que acontece no palco não é de responsabilidade só deles, e sim de toda uma produção e aparelhagem que precisa ser respeitada. Por isso, as reações parecidas. Só que por serem uma banda de “rock” podem também experiementar uma certa espontaniedade que uma boy band dos anos 90, por ter que também dançar, não conseguiria. E com isso conseguiram os pontos altos da apresentação. Um deles foi o momento Flashdance, o qual Joe jogava água em si mesmo e depois chacoalhava o cabelo em direção a platéia (lembra do entretenimento “engana-mamãe” que eu disse antes…então *naughty thoughts mode on*) e quando o mesmo desceu do palco e se jogou no meio da pista (tenho certeza que os seguranças tiveram que distribuir alguns “tapinhas” para o pessoal o largar).

Olha o trio “gatcheeenho”. Crédito: Capricho.

Enfim, meu dia foi isso. Depois da espera de duas horas, devido ao trânsito, até meu pai nos resgatar da “jonaslandia”, cheguei em casa exausta com uma certeza: tô mais surda por causa dos gritos das meninas do que pelo som do show.